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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Musicologia

Ao pedirem que explicasse um difícil étude, Schumman sentou-se ao piano e o tocou novamente.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A estética da precariedade

Há poucos dias recebi um marca-página em que figurava um prédio abandonado e cinzento em vertiginosa linha de janelas ao viés do olhar. Na parte de trás estava escrita uma mensagem de apoio à arte feita pela livraria que o confeccionou: o marca-página tinha um propósito estético. Para remarcar minha falta de criatividade, como já dita posts atrás, assinalo outro objeto que não escapou aos olhos de nossa fotógrafa: os muros desenhados e grafitados. Mas não se trata aqui das mensagens pichadas, senão daqueles grafites que se destinam, de alguma maneira, à arte, ou assim o pretendem. Coloco-os lado a lado pois são manifestações do mesmo fenômeno: uma estética da precariedade, ou da efemeridade. Ao reproduzir o prédio em ruínas, ou as cores chocantes e desordenadas aparentadas às placas e aos outdoors, esta estética é a ilustração acabada daquilo que a destrói. Ela afirma as forças que a levam diretamente ao fracasso estético. Movimentos como o dos surrealistas, dadaistas e de seus sectários, os donos dos ismos do século XX, tentaram e tentam evitar este fracasso ao buscar a agressão, ou seja afirmam-no por via apofática. Esta tendência, tanto a da agressão quanto a da reprodução, se encontra também nas ditas instalações, nas grandes estupidificações da arte moderna, que fazem as graças de tantos intelectuais que não sabem outra coisa senão babar. A ironia se torna hiperbólica quando os defensores desta dita arte se colocam contra o tal sistema, e se vêem como revolucionários.
Não é difícil imaginar porque o fascismo não encontrou nenhuma dificuldade em se apropriar dessa chamada arte.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Réplica – a Antônio Cândido

Confundir cultura e estética com sociologia é moeda corrente, principalmente depois que os entendidos do materialismo histórico creram que um etrusco do século VII a.C. e um industrial do século XIX tivessem as mesmas motivações. E o paroxismo ocorre quando se trata de cultura popular. Aí, seus cultores – e agucemos os ouvidos quando se fala de cultores de alguma coisa – alardeiam a velha cantilena do direito inalienável que o ser humano tem de se expressar, em todos os níveis. Concordo que todos temos o direito da expressão. No entanto, expressão não é, por si só, arte. Para dirimir a confusão que o conceito enseja, volvemos nosso olhar ao sol helênico e nos lembremos de que, para ouvidos gregos, não existiam diferenças entre arte e técnica. Eis um começo para interpretar a arte, e os gregos, creio, sabiam do que se tratava. Não existe arte sem técnica, mas técnica somente também não é arte. A discussão que Adorno, no texto “Sobre a música popular”, propõe não é, propriamente, uma anteposição de dois níveis de cultura, mas como um determinado nível, como o entende Antônio Cândido, o popular, se defronta com a tradição. E antes que vós repliqueis com confundir tradição com conservadorismo, entendo tradição como o legado que nos deixaram outras idades: aquilo que de mais alto o gênio humano produziu. Ora, nada é tão inalienável a todo e qualquer ser humano quanto a tradição: este é o direito real. Portanto, para Antônio Cândido, as massas devem permanecer no seu nível de cultura, ou seja, que as massas fiquem com o seu funk e nunca saibam o que é Homero. Afinal, não estamos em uma democracia?