sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Acontecimentos [2]


Africanidades na Ilha

Já está circulando a programação do "II Diálogos Brasil África" que acontecerá durante a próxima semana no Largo da Alfândega - Centro de Florianópolis em comemoração ao dia da Consciência Negra.
Estão previstas para o evento mostras de dança, artes plásticas, artesanato, gastronomia, exposição de trabalhos desenvolvidos por ONG's e outras entidades sociais.

Queres saber mais sobre isso, quiridu?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Muros


No início desta semana fiz algo que, por motivos diversos, não estou mais acostumada a fazer: parar para assistir TV. Relutante, eu parei. Assisti a uma notícia sobre a homenagem feita em comemoração aos 20 anos da queda do Muro de Berlim.
Em frente à tela vi uma cena onde estavam várias pessoas, em Berlim, prestes a derrubar peças de dominó gigantes e coloridas que estavam enfileiradas. As peças caíram uma a uma para simbolizar a queda do Muro.
O que mais me chamou a atenção foi o fato daquelas pessoas estarem lá reunidas, dispostas à prestar uma bonita e simbólica homenagem. Elas comemoravam um fato histórico, mais do que isso, comemoravam um resgate da liberdade, da vida e do direito de ir e vir

Parei mais uma vez e me questionei:
Até que ponto reformulamos nossos pensamentos e atos diante da destruição de algo físico?
O que um muro representa e quais são as suas variações?
Meu pensamento parou na Ilha. Parou em nós.

Florianópolis tem muitos muros.
Não com as mesmas proporções políticas, físicas e psicológicas agregadas ao Muro de Berlim.
Mas aqui também temos muros que podem ser chamados de muros políticos, físicos e psicológicos que representam nossa cultura, nosso modo de ser, agir e pensar.
Há diversos muros que são construídos e reconstruídos a todo momento.
Muros físicos para tentarmos nos proteger da crescente violência da cidade,
Muros etnocêntricos que impossibilitam o conhecimento sobre o outro que nos visita ou vem para ficar,
Muros psicológicos para a preservação da nossa "identidade",
Muros políticos que nos impedem de saber o que estão planejando para nós, cidadãos de Florianópolis.

Há tantos outros muros...
E há mais questionamentos.

Criamos muros com intuito de derrubá-los depois ou queremos apenas delimitar nosso território?
Quanto um muro pode nos proteger e nos aprisionar?
E ainda, o que podemos chamar de nosso?

As pessoas continuam chegando à Ilha. Umas retornarão para as suas cidades, outras permanecerão aqui.
As pessoas não deixarão de ir e vir, os muros continuarão sendo construídos, destruídos e reconstruídos.
A Ilha no futuro poderá ser cercada por muros do movimento "Fora Haole" ou, talvez, quem sabe, ela terá mais pontes e o padrão de Jurerê Internacional.

Os muros não podem nos impedir de ver as pontes.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Acontecimentos

filme Sistema de Animação seguido de um especialíssimo show instrumental do Toucinho Trio

quarta-feira, 11 de novembro
gratuito
SESC Florianópolis
Trav. Siryaco Atherino, 100 - Prainha (48) 3229-2200







Elomar e Camerata em canções Menestrelescas, Árias e Antífonas

sexta-feira, 13 de novembro
R$20 inteira, R$10 meia
Teatro Álvaro de Carvalho
Rua Marechal Guilherme, 26 - Centro.




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Réplica – a Antônio Cândido

Confundir cultura e estética com sociologia é moeda corrente, principalmente depois que os entendidos do materialismo histórico creram que um etrusco do século VII a.C. e um industrial do século XIX tivessem as mesmas motivações. E o paroxismo ocorre quando se trata de cultura popular. Aí, seus cultores – e agucemos os ouvidos quando se fala de cultores de alguma coisa – alardeiam a velha cantilena do direito inalienável que o ser humano tem de se expressar, em todos os níveis. Concordo que todos temos o direito da expressão. No entanto, expressão não é, por si só, arte. Para dirimir a confusão que o conceito enseja, volvemos nosso olhar ao sol helênico e nos lembremos de que, para ouvidos gregos, não existiam diferenças entre arte e técnica. Eis um começo para interpretar a arte, e os gregos, creio, sabiam do que se tratava. Não existe arte sem técnica, mas técnica somente também não é arte. A discussão que Adorno, no texto “Sobre a música popular”, propõe não é, propriamente, uma anteposição de dois níveis de cultura, mas como um determinado nível, como o entende Antônio Cândido, o popular, se defronta com a tradição. E antes que vós repliqueis com confundir tradição com conservadorismo, entendo tradição como o legado que nos deixaram outras idades: aquilo que de mais alto o gênio humano produziu. Ora, nada é tão inalienável a todo e qualquer ser humano quanto a tradição: este é o direito real. Portanto, para Antônio Cândido, as massas devem permanecer no seu nível de cultura, ou seja, que as massas fiquem com o seu funk e nunca saibam o que é Homero. Afinal, não estamos em uma democracia?

Humor involuntário na ilha

O Brasil é um país de grandes humoristas. Não falo dos gênios do Zorra Total nem de Ary Toledo. Os gênios brasileiros fazem humor sem querer, como dizia Golias Miranda. Aqueles que aprenderam esta valiosa lição deleitam-se na mediocridade diária do telejornal ou das propagandas eleitorais (especialmente dos candidatos a vereador). Neste tipo tão especial de humor, Florianópolis é uma mina de ouro. No DC do dia 3, um de nossos grandes mestres, Luiz Carlos Prates, soltou uma de suas "rápidas e rasteiras": "Aí está a raiz do problema, mães e pais que não querem admitir que são frouxos, que não controlam, não educam, não impõem limites, não restringem vontades, nada. Soltam os filhos, dão-lhes rédeas soltas. Depos choram, rogam pragas e ficam com cara de cãozinho que lambeu graxa...".
Genial. Infelizmente, o mal sempre é lembrado. O bem é tão difícil de ser reconhecido.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Deu(-se mal) no DC

Há algo pior do que a erudição vazia: é a falsa erudição vazia. Em artigo publicado no DC de domingo, a propósito de escrever mais um capítulo de seu interminável livro de ressentimentos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis posar de leitor assíduo de Shakespeare. Deu-se mal: atribuiu a Hamlet uma frase que, na verdade, pertence a Polonius ("Há método nessa loucura"). O engano, se não é sinal de ignorância, pode ser visto como um muito freudiano ato falho de alguém que ainda pensa ser príncipe quando não passa de um conselheiro que, justamente por falar demais, é cada vez menos ouvido.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

a ilha em ato sonâmbulo


















enquanto
minhas
palavras
dormem...