Encontrei um jornal jogado no PET e resolvi abrí-lo na coluna de um dos mais famosos jornalistas da ilha. Deparei-me com uma foto(a qual já haviam me mostrado) de uma mulher,obviamente trajando pouca roupa e uma camisa de futebol, e ao lado o seguinte comentário feito pelo autor da coluna: " M.V. garante que vai dar tudo o que tem para ver seu time subir." Aceitável, vindo dele. Mas eis que leio mais adiante e encontro uma breve crítica moralista sobre um site de relacionamento dinamarquês que só aceita usuários desde que eles sejam bonitos.Os próprios usuários decidem quem pode fazer parte ou não. " Mas será que é só isso? E o charme? E a cultura? E o bom humor?" indaga o jornalista.
Eu não vou falar aqui sobre machismo e outros clichês. Mas o pior é que a moça ainda está de costas na foto. Talvez ele tenha dado um bom exemplo de coerência aceitando a foto da moça em sua coluna, já que como ela está de costas não sabemos se ela é bonita ou não.
Chega de falar, afinal, não se ensinam coisas novas a um macaco velho.
Vou deixar o final para o Dr. Gori, ele sempre sabe qual é a melhor solução.
...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Desabafo
Nos jornais, as notícias de sempre: os problemas do transporte público, o caos que as obras mal planejadas causam ao trânsito, os roubos, os assassinatos na capital...
Divulgar novos espaços de cultura e lazer, para quê? A população não está interessada. É preciso ter assuntos polêmicos para ter o que falar no cabeleireiro, no trabalho, durante o almoço, no supermercado...
Divulgar novos espaços de cultura e lazer, para quê? A população não está interessada. É preciso ter assuntos polêmicos para ter o que falar no cabeleireiro, no trabalho, durante o almoço, no supermercado...
A construção de um memorial para reavivar obras de um poeta, brasileiro, negro, não causa polêmica, nem interesse, nem questionamentos.
É preciso sensacionalismo para exercitar a língua e atrofiar a mente!
João da Cruz e Sousa, o "seu valor só foi reconhecido postumamente", é o que dizem. No entanto, me questiono: Reconhecido por quem? Para muitos ele ainda é um desconhecido e dentre esses muitos estão seus conterrâneos.
O poeta está entre os maiores do Simbolismo universal porque Roger Bastide, sociólogo francês, um dos pioneiro dos estudos sobre os negros brasileiros (falo negros brasileiros porque soa melhor, para mim, do que afrodescendente, mas isso já é assunto pra outro post). Roger Bastide também foi professor de sociologia da Universidade de São Paulo entre os anos de 1938 e 1954. Bastide, de fato, reconheceu Cruz e Sousa, os brasileiros, infelizmente, não tiveram a mesma capacidade.
Há 30 anos, em Florianópolis, tentaram prestar uma primeira homenagem a Cruz e Sousa, deram ao antigo Palácio do Governo o seu nome: Palácio Cruz e Sousa, tombado como patrimônio histórico em 1984. Somente há 2 anos, os restos mortais do poeta, que estavam no Rio de Janeiro, chegaram aqui na Ilha. Aos seus 110 anos de morte, completos no ano passado, Cruz e Sousa deveria ter recebido de presente um memorial, no entanto, este só começou a ser construído na última segunda-feira, 26 de outubro.
No espaço, que será construído no terreno do Palácio Cruz e Sousa, deverá ter um local para abrigar a urna mortuária do poeta simbolista, junto a ela também terá uma sala de leitura, uma biblioteca de autores catarinenses e uma cafeteria, onde poderão acontecer lançamentos e saraus literários.
Conforme diz a FCC, "a intenção é que a obra seja um espaço para reverenciar a grandeza do poeta e que sirva, também, como espaço de lazer", mas se ficarmos esperando que os veículos de comunicação sensacionalistas nos avisem sobre a inauguração do espaço ou esperando que algumas pessoas se conscientizem sobre o valor literário da poesia simbolista de Cruz e Sousa e tenham, realmente, algum interesse pela cultura local em geral, iremos "mofar com a pomba na balaia".
É preciso sensacionalismo para exercitar a língua e atrofiar a mente!
João da Cruz e Sousa, o "seu valor só foi reconhecido postumamente", é o que dizem. No entanto, me questiono: Reconhecido por quem? Para muitos ele ainda é um desconhecido e dentre esses muitos estão seus conterrâneos.
O poeta está entre os maiores do Simbolismo universal porque Roger Bastide, sociólogo francês, um dos pioneiro dos estudos sobre os negros brasileiros (falo negros brasileiros porque soa melhor, para mim, do que afrodescendente, mas isso já é assunto pra outro post). Roger Bastide também foi professor de sociologia da Universidade de São Paulo entre os anos de 1938 e 1954. Bastide, de fato, reconheceu Cruz e Sousa, os brasileiros, infelizmente, não tiveram a mesma capacidade.
Há 30 anos, em Florianópolis, tentaram prestar uma primeira homenagem a Cruz e Sousa, deram ao antigo Palácio do Governo o seu nome: Palácio Cruz e Sousa, tombado como patrimônio histórico em 1984. Somente há 2 anos, os restos mortais do poeta, que estavam no Rio de Janeiro, chegaram aqui na Ilha. Aos seus 110 anos de morte, completos no ano passado, Cruz e Sousa deveria ter recebido de presente um memorial, no entanto, este só começou a ser construído na última segunda-feira, 26 de outubro.
No espaço, que será construído no terreno do Palácio Cruz e Sousa, deverá ter um local para abrigar a urna mortuária do poeta simbolista, junto a ela também terá uma sala de leitura, uma biblioteca de autores catarinenses e uma cafeteria, onde poderão acontecer lançamentos e saraus literários.
Conforme diz a FCC, "a intenção é que a obra seja um espaço para reverenciar a grandeza do poeta e que sirva, também, como espaço de lazer", mas se ficarmos esperando que os veículos de comunicação sensacionalistas nos avisem sobre a inauguração do espaço ou esperando que algumas pessoas se conscientizem sobre o valor literário da poesia simbolista de Cruz e Sousa e tenham, realmente, algum interesse pela cultura local em geral, iremos "mofar com a pomba na balaia".
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Samba como arte trágica
Edison Carneiro, um dos pioneiros no estudo da cultura afrobrasileira, escreveu que “o negro e o mulato – os homens abandonados dos morros, das favelas, dos bairros inasalubres da cidade – exprimiram seu sofrimento e a sua desesperança, mas também a sua vontade de viver, na batucada, no maxixe, no choro e no samba”. Entenda-se: não se trata de dizer que esse cancioneiro ora enfatiza a dor, ora a alegria. A rigor, ao menos nas manifestações mais notáveis da musicalidade afrodescendente, o que se vê é, antes, uma enigmática justaposição de afetos contraditórios, à maneira do que sucede às tragédias gregas na visão de Nietzsche.
* * *
Monarco, o chefão da Velha Guarda da Portela, é hoje, no samba, o grande representante da arte de fazer do gozo, não o oposto do sofrimento, mas um efeito de seu atravessamento. Basta ouvir "Coração em desalinho" para que se tenha uma idéia do que estou dizendo.
* * *
Monarco esteve em Floripa no findi. Cantou na sede da Embaixada Copalorde. Azar de quem não estava lá. O cara sabe tudo. Repertório perfeito, voz grave, precisa, sem floreios: é o Sinatra do samba.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Troca de nacionalidade, uma propaganda impossível - outras ET Ceteras...
Desculpe amigo BR, mas precisa cuidar de sua miopia.
Já me surpreendi algumas vezes com o cartaz que agora descreves. Mas não é o governo federal que vos fala. Esse é apenas mais um engôdo da ferocidade da propaganda em prol da venda de abstrações e ideias distorcidas de outras miopias. O comércio por trás daquele cartaz é do serviço de pesquisa e do conhecimento das portas de fundo da burocracia. Vende a busca por um vínculo que até tu desconhece, ou remotamente conhece, buscam um qualquer parente, um tataravô não nomeado e carimbam-te como descendente. Agora pagarás carimbos mil e a pátria amada poderá não se chamar mais Brasil. Não se tornarás português mas terá o benefício da fila (a outra com pouca gente e mais atendentes) quando deixares a terra adorada. Também terás o almejado livre trânsito em um espaço em que as dimensões não vão além da América do Sul, porém com uma mãe de herança mais gorda, dispondo de uma gentileza amplamente reconhecida no imaginário do imigrante do nosso século.
Queremos, ou quereis vós, ou querem eles, ou... sei, também quis, quisera um dia eu.. como muitos ainda querem forrar as algibeiras de gordas notas que multiplicar-se-ão por 3 ao retorno do brasileiro (que exacerbará sua brasilidade enquanto estiver fora) à sua terra amada ao longe. Sim, um dia foi ao contrário. E um dia Brasil olhou mais para Portugal e, acredito poder dizer em um exemplo simples de quem entende mais quem em seu falar e quem conhece mais quem em seus autores, agora Portugal olha mais para o Brasil, do que o Brasil para o luso retângulo, nem que seja nos shows a céu aberto, ou apenas na tv em qualquer um dos constantes horários de novela brasileira.
Ah Senhor! Quantos Senhores há no Brasil?. E quando as senhoras deixaram de esconder seus filhos entre as saias que não mais usam para que esses filhos amadureçam a reflexão de sua história? Quando nos curaremos dos traumas de infância e começaremos a nos preocupar com as dores do agora? Quando afirmaremos nossa diferença por nossa convicção fundamentada, ao invés de demonstrarmos a febrilidade adolescente?
Não BR, não falo de ti. Estavas apenas míope. Falo de outras moléstias (em que acredito notar-me enfermas uns dias, quiça não muitos). Quem sabe quantas outras há? Tantas quanto os Senhores?
Réplica - a Adorno
Cultura não é coisa para ociosos, mas deixemos que o diálogo entre Antônio Cândido e Adorno dê conta de mais alguns elementos levantados há poucas postagens:
“A luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da Cultura. A distinção entre Cultura Popular e Cultura Erudita não deve servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural, a sociedade fosse dividida em esferas incomunicáveis dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade justa pressupõe o respeito aos direitos humanos e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”.
Afora isso, tenho a acrescentar que o vale-cultura tem pouquíssimo -- nada, de fato -- a ver com qualquer suspeita de que o trabalhador não saiba gastar seu dinheiro: ele nos diz mais é sobre o fato de que não cabe à política definir qual tipo de produção é cultura e deve, portanto, ser subsidiada pelo governo. O vale-cultura restitui ao povo seu direito de escolha sobre o investimento cultural, antes de o tomar.
Opa, a discussão neste espaço requer reflexão sobre a ervilha. Pois bem, nesta ilha um número considerável de suas poucas produções culturais são disponibilizadas ao público gratuitamente ou a preços bastante acessíveis -- a exemplo da última temporada de peças gratuitas no Teatro da UFSC ou das exposições a 2 reais no Victor Meirelles. Isso não garante público, nem o vale-cultura o garantirá. O vale-cultura só garantirá o direito e, com o tempo, de repente, o público não despossuído de seu direito inalienável poderá vir a fazer questão de fazer uso dele.
“A luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da Cultura. A distinção entre Cultura Popular e Cultura Erudita não deve servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural, a sociedade fosse dividida em esferas incomunicáveis dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade justa pressupõe o respeito aos direitos humanos e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”.
Afora isso, tenho a acrescentar que o vale-cultura tem pouquíssimo -- nada, de fato -- a ver com qualquer suspeita de que o trabalhador não saiba gastar seu dinheiro: ele nos diz mais é sobre o fato de que não cabe à política definir qual tipo de produção é cultura e deve, portanto, ser subsidiada pelo governo. O vale-cultura restitui ao povo seu direito de escolha sobre o investimento cultural, antes de o tomar.
Opa, a discussão neste espaço requer reflexão sobre a ervilha. Pois bem, nesta ilha um número considerável de suas poucas produções culturais são disponibilizadas ao público gratuitamente ou a preços bastante acessíveis -- a exemplo da última temporada de peças gratuitas no Teatro da UFSC ou das exposições a 2 reais no Victor Meirelles. Isso não garante público, nem o vale-cultura o garantirá. O vale-cultura só garantirá o direito e, com o tempo, de repente, o público não despossuído de seu direito inalienável poderá vir a fazer questão de fazer uso dele.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Et cetera...
Há poucos dias vi um cartaz por que o governo federal - se as armas da República não se deviam à arte de minha miopia - me incitava a pedir nacionalidade portuguesa e, consequentemente, o paraíso do livre trânsito pelas terras unidas de europa.
Ora, a idealização do velho mundo não consta de nenhuma nova e nós brasileiros não deixamos o stigma - ou seria antes o signo de nossa raça? - daquele que vinha a estas terras para voltar com as algibeiras cheias à sua pátria. Claro, sem se esquecer de antes bater os sapatos, ou simplesmente lançá-los às graças de Poseídon. Estivera aquela placa portanto a evidenciar nossa falta de lugar?
E que somos afinal, qual é o nosso lugar? O negro ao qual se impingiu a tirânica unidade da cor; o autóctone extirpado à terra, ao se chamar "índio", ou mesmo "autóctone"; os degredados, bruxas e ladrões, a escória, a face que o europeu quis aqui ocultar; os alemães, os italianos, os açorianos, os portugueses, aqueles ditos colonos fascinados pela propaganda mosaica de um Brasil de séculos atrás; a terra a identificar. Ou somos aqueles aos quais se destina o amparo daquela que um dia deu nome a esta ilha, Nossa Senhora do Desterro?
A busca por uma identidade nacional tem no mínimo dois séculos; ou parece que mesmo antes aquele que pisava nessas terras, já vinha porque se perdera. Desde aqueles romances e poemas, aqueles românticos que viam, ou queriam ver o paraiso perdido, ou destruido, ao fascimo de Vargas e ao slogan, aquele "Um país de todos", a soar, agradável e lisonjeiro, como a fístula de Pan, para que não se notem as pernas de bode, a pergunta é: que identidade e para quê? Não existe identidade do cisma senão de seu próprio corte. E se o desterro não deixou rastro algum?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Privilégio

Desisti de querer mudar-me para perto da universidade. Já não anseio voltar pra casa caminhando (ou quem sabe, pedalando) ao fim do dia ou me encontrar disponível para qualquer evento manifestado em última hora nos arredores da trindade. Dei-me conta de que me privaria da parte mais prazerosa da minha rotina de moradora distante, se assim o fizesse.
Apresento-vos meu privilégio.
Morar na parte continental da cidade (porque Florianópolis não é feita só de ilha – que isso já sirva ao leitor desavisado) tem suas vantagens. A minha é poder atravessar a ponte todos os dias e assim observar a rica paisagem transitória do adentrar a ilha, na ida, e do afastar-se dela, na volta. Junta-se a essa travessia todo o resto do trajeto que observo (agora já inserida na ilha) via beira mar ou baía sul para chegar à universidade. Por mais que eu trafegue, rotineiramente, pelos mesmos lugares, a visão que tenho através da janela hoje é sempre diferente da que tive ontem. É essa a riqueza da qual não abro mão. A vida que não descuido a mover-se lá fora me fascina. Se trago um livro para ocupar o tempo (o motorista que se encarregue do resto), divido meu olhar entre as linhas fixas e simétricas do papel e a paisagem corrente e improvisada da janela. Cada dia é singular. As nuvens se refletem no mar de maneira diferente, os passantes nas ruas não são sempre os mesmos, os outdoors se modificam, os moradores embaixo da ponte se revezam (simpatizei com o inquilino da vez, que entre seus pertences, conserva um robusto urso panda de pelúcia posto a olhar, incessantemente, a paisagem entre pontes), as pequenas moradas que contornam os morros parecem cada vez mais numerosas, os casais à beira mar brigam e fazem as pazes, as árvores no local mudam de humor com freqüência, o mar é vasto e sempre desconhecido, e uma centena de habitantes insulares que percebo a cada ida ignora meus olhares. Até o trânsito (cada vez mais caótico nessa ilhota) e os semáforos podem ser positivos se encarados nesse contexto: sobra-me mais tempo para a contemplação. Penso que não abdicaria tão fácil dessa minha excursão diária. Penso também que testemunhar toda essa multiplicidade, com seus feitos, enfeites e defeitos, e poder encontrar-me dentro dela, é atividade sublime que se faz necessária. Somo dias, muitos dias, percorrendo o mesmo trajeto – e não canso nunca.
Apresento-vos meu privilégio.
Morar na parte continental da cidade (porque Florianópolis não é feita só de ilha – que isso já sirva ao leitor desavisado) tem suas vantagens. A minha é poder atravessar a ponte todos os dias e assim observar a rica paisagem transitória do adentrar a ilha, na ida, e do afastar-se dela, na volta. Junta-se a essa travessia todo o resto do trajeto que observo (agora já inserida na ilha) via beira mar ou baía sul para chegar à universidade. Por mais que eu trafegue, rotineiramente, pelos mesmos lugares, a visão que tenho através da janela hoje é sempre diferente da que tive ontem. É essa a riqueza da qual não abro mão. A vida que não descuido a mover-se lá fora me fascina. Se trago um livro para ocupar o tempo (o motorista que se encarregue do resto), divido meu olhar entre as linhas fixas e simétricas do papel e a paisagem corrente e improvisada da janela. Cada dia é singular. As nuvens se refletem no mar de maneira diferente, os passantes nas ruas não são sempre os mesmos, os outdoors se modificam, os moradores embaixo da ponte se revezam (simpatizei com o inquilino da vez, que entre seus pertences, conserva um robusto urso panda de pelúcia posto a olhar, incessantemente, a paisagem entre pontes), as pequenas moradas que contornam os morros parecem cada vez mais numerosas, os casais à beira mar brigam e fazem as pazes, as árvores no local mudam de humor com freqüência, o mar é vasto e sempre desconhecido, e uma centena de habitantes insulares que percebo a cada ida ignora meus olhares. Até o trânsito (cada vez mais caótico nessa ilhota) e os semáforos podem ser positivos se encarados nesse contexto: sobra-me mais tempo para a contemplação. Penso que não abdicaria tão fácil dessa minha excursão diária. Penso também que testemunhar toda essa multiplicidade, com seus feitos, enfeites e defeitos, e poder encontrar-me dentro dela, é atividade sublime que se faz necessária. Somo dias, muitos dias, percorrendo o mesmo trajeto – e não canso nunca.
Assinar:
Postagens (Atom)